24 Verdade e mitos sobre bebidas alcoólicas

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Bebidas alcoólicas, saiba o que faz e não faz mal!

Para muita gente, festa é sinônimo de paquera e bebedeira. Porém nem sempre as duas coisas são compatíveis. As bebidas alcoólicas são um depressor do sistema nervoso central, por consequência, deixa a pessoa mas desinibida em um instante inicial. Porém, se o consumo for excessivo, o efeito pode ser contrário e a excitação dá lugar à sonolência, prejudicando o desempenho sexual.

Mitos e verdades sobre bebidas alcoólicas

“O álcool em excesso prejudica a circulação e parte neurológica da pessoa, podendo levá-la a falhar na hora “H” ou a ter um desempenho insatisfatório”, explica o urologista Valter Javaroni, membro do departamento de sexualidade humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

As bebidas alcoólicas, quando ingeridas em grandes quantidades, ocasionam alterações no cérebro que levam à perda do senso de organização, falta de coordenação dos movimentos, perturbação completa do sistema nervoso, motor e intelectual. “O indivíduo embriagado não consegue reagir no devido tempo aos estímulos do dia a dia, possui dificuldade para dirigir, realizar trabalhos e trabalhar”, conta o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de complicações com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira e também membro da Liceu Brasileira de Neurologia (ABN).

Mesmo em doses muito pequenas, o álcool já é capaz de prejudicar o senso de uma pessoa e intervir no autocontrole. “Uma mera dose já representa um risco, que varia de pessoa para pessoa. A bebida deixa a pessoa mais desinibida e relaxada, e também sem limites e sem noção do perigo”, destaca Lima. Por consequência, se ingerir bebidas alcoólicas, não dirija.

O excesso de bebidas alcoólicas prejudica, ainda, a memória. O álcool é um depressor das células nervosas e, em doses altas, é possível que provoque perturbação no nível da consciência da pessoa, gerando dificuldades no armazenamento de informações e deficit da capacidade de apreender dados naquele instante. Então, aquele companheiro que exagera na cachaça e depois diz que não lembra o que aconteceu, provavelmente está falando a verdade.

Mas vamos ao que interessa e conheça 24 verdades e mitos sobre bebidas alcoólicas que você precisa saber!

1. Mulheres grávidas não devem beber álcool.

VERDADE: o consumo excessivo e contínuo de álcool durante a gravidez pode ocasionar síndrome metabólica fetal (má formação no feto). “Não é certeza que a síndrome vá ocorrer, mas é um risco grande em qualquer estágio da gestação, em especial nos primeiros meses”, diz o ginecologista e obstetra Pedro Paulo Bastos Filho, professor da Faculdade de Tecnologia e Ciência da Bahia (FTC). Segundo ele, nas primeiras 12 semanas, as drogas e o álcool, de um modo geral, podem causar má formação no feto. Após esse período, o risco diminui, mas no futuro o bebê corre risco de desenvolver deficits de inteligência e de atenção, pois a bebida pode destruir seus neurônios. “Não existe nenhum estudo demonstrando a dose segura de álcool na gravidez”, destaca o médico!

2. Comer antes de beber ajuda a retardar os efeitos do álcool.

VERDADE: a ingestão de alimentos retarda, temporariamente, o esvaziamento gástrico. “Como a absorção do álcool se dá principalmente no intestino, beber com o estômago cheio realmente retarda os efeitos do álcool”, diz o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

3. Consumo de bebida alcoólica em excesso pode causar doenças a longo prazo.

VERDADE: são inúmeras as doenças que podem ser provocadas pelo consumo abusivo. “Entre as agudas, estão a hepatite alcoólica e a pancreatite. Já as crônicas incluem a cirrose hepática, a insuficiência cardíaca, a pancreatite crônica, as neuropatias periféricas e as deficiências vitamínicas”, aponta o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG)

4. Beber melhora o desempenho sexual.

MITO: o álcool é um depressor do sistema nervoso central, o que deixa a pessoa mais desinibida em um momento inicial e pode favorecer o encontro sexual. Se o consumo for excessivo, no entanto, o efeito pode ser contrário e a excitação dará lugar à sonolência. “A inibição do sistema nervoso central pode bloquear o orgasmo e o desejo”, diz o ginecologista e obstetra Pedro Paulo Bastos Filho, professor da Faculdade de Tecnologia e Ciência da Bahia (FTC). No homem pode, inclusive, dificultar a ereção. “O álcool em excesso prejudica a circulação e a parte neurológica do indivíduo, podendo levá-lo a falhar na hora ‘H’ ou a ter um desempenho insatisfatório”, afirma também o urologista Valter Javaroni, membro do departamento de sexualidade humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O uso prolongado e constante prejudica homens e mulheres. “A testosterona, o estrogênio e a progesterona são metabolizados no fígado. E para metabolizar a bebida, o fígado produz maior quantidade de uma enzima que é a mesma que causa a destruição dos desses hormônios sexuais”, explica Bastos Filho.

5. Se tiver insônia, tomar uma dose de bebida ajudará a dormir.

VERDADE: Quando a pessoa está tensa, uma dose única de bebida alcoólica (uma taça de vinho, um copo de cerveja ou uma dose de uísque) pode levar a um relaxamento que ajudará a dormir. Mas antes de lançar mão desse artifício, é preciso saber o que pode estar ocasionando o mal. “É preciso tratar a insônia como um problema médico. Avaliar o que está acontecendo, se é apenas uma situação circunstancial ou se tem alguma outra causa”, alerta o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Ele lembra que quando em excesso, no entanto, a bebida pode ter o efeito contrário: perturbar o sono e agravar o problema. “O álcool afeta o funcionamento cerebral e o metabolismo dos neurônios, podendo levar a uma noite mal dormida”, diz o médico.

6. O ideal é parar de ingerir bebidas alcoólicas quando se está tomando remédios.

PARCIALMENTE VERDADE: depende do medicamento que o paciente está utilizando, por isso é importante consultar o médico e ler a bula antes de ingerir bebidas alcoólicas. O álcool interfere no metabolismo de alguns medicamentos, diminuindo ou aumentando seus efeitos, o que pode levar a uma ação inadequada do mesmo ou a eventos adversos. “Esta mistura é mais deletéria ainda para pacientes que utilizam medicação neurológica ou psiquiátrica”, fala o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Especial atenção aos antibióticos, que têm sua ação bastante diminuída se tomados junto com bebidas.

7. Bebidas alcoólicas cortam o efeito do antibiótico.

VERDADE: A bebida interfere no metabolismo dos antibióticos, pois o álcool é metabolizado, em parte, pelas mesmas enzimas do fígado que ajudam a decompor os medicamentos. “Devemos lembrar, ainda, que alguns medicamentos utilizados como antibióticos, como o metronidazol e o tinidazol, se usados concomitantemente com a ingestão de álcool, podem causar mal-estar intenso, vermelhidão, taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos) e desmaios”, alerta o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Além disso, a ingestão de altas doses de bebidas alcoólicas como a cerveja, por exemplo, que possui grande quantidade de água, tende a aumentar a diurese do paciente, o que também aumenta, consequentemente, a eliminação do antibiótico por meio da urina. “Isso faz com que o medicamento tenha seus níveis diminuídos no sangue, reduzindo sua eficácia e a chance de curar a infecção”, fala o médico.

8. Mulheres são menos resistentes ao álcool que homens.

VERDADE: as mulheres são mais sensíveis ao álcool por uma razão fisiológica: elas possuem maior concentração de gordura no corpo. “O álcool é lipossolúvel, ou seja, é diluído em gordura. Com isso, o metabolismo sofre certo atraso que faz com que o álcool circule por mais tempo”, conta o neurologista José Mauro Braz de Lima, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Isso não significa, no entanto, que todas as mulheres sejam mais fracas que os homens no quesito bebida, e nem que não existam homens mais sensíveis ao álcool. As mulheres também são mais propensas a adquirir doenças oriundas do consumo de bebidas. Isso porque parte importante do metabolismo do álcool envolve um grupo de enzimas denominadas álcool desidrogenases. “Sabe-se que as mulheres produzem muito menos destas enzimas que os homens, tornando-se, assim, mais suscetíveis às doenças relacionadas ao álcool com a ingestão de menores quantidades”, destaca o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

9. O alcoolismo é uma doença.

VERDADE: alcoolismo é um estado associado a uma doença multissistêmica, ou seja, que não é específica e compromete vários órgãos e sistemas do corpo. “É, no conjunto, uma síndrome nosológica, ou seja, que pode dar doenças em vários órgãos, dependendo da pessoa”, explica o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira. Entre os males causados pelo álcool estão as doenças hepáticas, do sistema nervoso periférico e central, do pâncreas e do fígado. “Ele leva, em 100% dos casos, a problemas neurológicos e psiquiátricos, perda cognitiva, dificuldade de raciocínio, esquecimento, distúrbios de comportamento, desorientação e falha de memória”, continua o médico

10. Embriaguez faz a pessoa perder a memória.

VERDADE: o álcool é um depressor das células nervosas e, em doses altas, pode provocar perturbação no nível de consciência do indivíduo, gerando dificuldade no armazenamento de informações e deficit na capacidade de apreender dados naquele momento. Se constantes, as bebedeiras podem render problemas mais graves e duradouros, como dificuldade para gravar fatos na memória a longo prazo. “O alcoolismo crônico ou abuso de álcool constante são deletérios e levam à morte celular. Eles são a causa mais comum de deficit cognitivo e perda de função cognitiva”, ressalta o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira.

11. Cerveja é menos nociva que outros tipos de bebida.

MITO: apesar de ter um grau menor de álcool, a cerveja pode ser tão ou mais nociva para o organismo do que outras bebidas, se consumida em doses altas. “É a quantidade ingerida que será nociva. Por isso, é importante que se conheça a graduação alcoólica das bebidas”, diz o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Ele ensina que as cervejas têm, em média, 6% de álcool, os vinhos, em torno de 12%, o uísque, o conhaque e algumas cachaças, em torno de 39%; porém há cachaças em que a graduação alcoólica chega a 50%. O cardiologista Nabil Ghorayeb, presidente do Departamento de Exercícios e Reabilitação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), lembra ainda que nem sempre quem bebe cerveja (e outras bebidas) apenas nos fins de semana pode se considerar livre dos problemas causados pelo álcool. “Há uma intoxicação cardiológica e do fígado por conta de todo esse álcool ingerido de uma só vez. E leva-se alguns dias para o organismo se recuperar”, explica.

12.Os efeitos da bebida alcoólica no corpo do idoso são iguais aos que ocorrem no do jovem.

MITO: o jovem tem um organismo mais ativo e forte, então sofre menos os efeitos do álcool do que os mais velhos, que têm o corpo mais debilitado. “A idade faz com que se tenha uma tolerância menor e que se sinta mais os efeitos deletérios do álcool”, diz o neurologista José Mauro Braz de Lima, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). O álcool também pode prejudicar outras condições. “Os idosos são mais vulneráveis aos efeitos das bebidas, pois, em geral, já possuem doenças como pressão alta e diabetes”, lembra o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo.

13. Não há problemas em tomar álcool durante uma refeição.

VERDADE: desde que se beba de maneira comedida, como uma taça de vinho, um copo de cerveja ou uma taça de chope, por exemplo. É preciso verificar, ainda, se a pessoa não possui algum mal que impeça o consumo da bebida. “Quem tem doença pancreática ou neurológica e toma remédios para tratar esses males deve evitar o consumo em qualquer ocasião, pois o remédio exacerba o efeito do álcool e vice-versa”, explica o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo.

14. Tomar comprimidos efervescentes evita o mal-estar e a ressaca.

VERDADE: Pode evitar, desde que o comprimido contenha algum anti-inflamatório, como o ácido acetilsalicílico. “Ele pode aliviar o mal-estar e a ressaca, mas isso vai depender da sensibilidade da pessoa à bebida e do quanto ela bebeu”, afirma o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo e membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). O ideal é sempre ingerir os comprimidos na hora da ressaca, e não antes de beber, como muitos costumam fazer. O médico alerta que esses medicamentos não são indicados para pessoas com gastrite, úlcera e problemas intestinais, pois podem agravar esses males.

15. Álcool também prejudica os reflexos.

VERDADE: bebidas alcoólicas, quando ingeridas em grandes quantidades, causam alterações no cérebro que levam a perda do senso de organização, falta de coordenação dos movimentos, perturbação completa do sistema nervoso, motor e cognitivo. “A pessoa embriagada não consegue reagir no devido tempo aos estímulos do dia a dia, tem dificuldade para dirigir, realizar tarefas e trabalhar”, explica o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira. Mesmo em doses bem pequenas, o álcool já é capaz de prejudicar o bom senso de uma pessoa e influenciar no autocontrole. “Uma mera dose já representa um risco, que varia de pessoa para pessoa. A bebida deixa o indivíduo mais desinibido e relaxado, e também sem limites e sem noção do perigo”, destaca. Por isso, se beber, não dirija.

16. Induzir o vômito reduz o teor de álcool no sangue.

MITO: segundo o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo, o vômito não faz a pessoa voltar à sobriedade. “Nesse estágio, o álcool já foi absorvido pelo organismo, então não adianta querer colocar para fora”, diz. O alívio será apenas estomacal, já que a ânsia que muitas vezes se sente ao exagerar nas doses é devido a um estado de intoxicação alcoólica que levou a uma irritação do estômago pela presença do álcool.

17. Café ajuda a curar a embriaguez.

MITO: o café tem uma dose muito pequena de cafeína para ser capaz de neutralizar a ação do álcool, que nesse estágio já atua no organismo como um todo. “Ele não deve ser usado como antídoto”, segundo o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Uma dose de café, no entanto, não prejudica e pode ajudar a diminuir sutilmente os efeitos do álcool, por sua ação energética. “Ele é rico em substâncias que excitam o cérebro. Desta forma, é possível que ajude a diminuir o efeito depressivo central produzido pelo álcool”, diz o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Porém, o ideal, de acordo com o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo, é deixar a pessoa embriagada dormir até que os efeitos da bebedeira passem.

18. Bebidas gasosas e álcool pode ser uma combinação perigosa.

MITO: não há risco direto de se beber álcool junto com um refrigerante, por exemplo, mas, por tornar a bebida mais doce e leve, essa combinação acaba levando um indivíduo a beber mais, sem perceber. “A pessoa acha que não está bebendo nada e quando nota já está embriagada”, aponta o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) e membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

19. Misturar energéticos com bebidas alcoólicas pode fazer mal.

VERDADE: em excesso, a combinação pode levar ao aumento da pressão arterial, palpitações, arritmias cardíacas e, em casos extremos, ao AVC e morte súbita, segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj). “Os energéticos escondem os sintomas de embriaguez, pois são estimulantes e contêm cafeína e taurina, que mascaram os efeitos do álcool que ocorrem depois da fase inicial de euforia, como sonolência e relaxamento. Os energéticos permitem que a pessoa beba por mais tempo e em maior quantidade e, portanto, deixam-na sujeita a embriaguez e a todos os riscos que isso acarreta, como redução de reflexos, riscos de quedas e acidentes, risco de dependência e até de morte”, afirma a cardiologista Olga Ferreira de Souza, presidente da entidade. Além de cafeína, os energéticos são ricos em taurina, que aumenta a resistência física, o que eleva o risco de uma pessoa embriagada não notar seu estado e querer dirigir.

20.Consumo de alguns tipos de bebida evita a formação de pedra nos rins.

MITO: não há qualquer relação entre estes dois fatos. O mito surgiu devido às constantes idas ao banheiro de pessoas que tomam muita cerveja. “Mas elas acabam urinando mais porque a cerveja tem mais água em sua composição do que outras bebidas. Quando se está bebendo uísque ou vinho, por exemplo, a quantidade de água é menor e isso influência no volume hídrico”, afirma o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira. Segundo ele, a quantidade de excessiva de álcool tem o efeito contrário no organismo: pode bloquear a ação do hormônio antidiurético, secretado em casos de desidratação. Isso faz com que os rins conservem a água no corpo, diminuindo o volume da urina. “É a quantidade total de álcool ingerida, e não a quantidade de doses em si, que pode bloquear a ação desses hormônios”, completa. Para manter a hidratação adequada do corpo e evitar pedras nos rins, o ideal ainda é ingerir água e sucos diariamente, e não sair por aí bebendo, segundo o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo e membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

21. Todas as pessoas digerem as bebidas alcoólicas da mesma forma.

MITO: a digestão do álcool envolve um grupo de enzimas denominadas álcool desidrogenases. A maior ou menor presença destas substâncias no organismo é que determina como o álcool vai atuar no corpo de uma pessoa. “Por conta dessa enzima, algumas etnias digerem melhor o álcool do que outras. Normalmente, os orientais tem uma digestão mais difícil e sentem mais os efeitos colaterais das bebidas”, conta o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo e membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Essa variação também pode acontecer de pessoa para pessoa. Mulheres, em geral, são mais sensíveis ao álcool, pois também possuem menos enzimas que os homens.

22. Uma pessoa acima do peso sente mais os efeitos do álcool.

VERDADE: o álcool é lipossolúvel, ou seja, se dilui em gordura. Uma pessoa acima do peso tem maior quantidade de massa gorda e, dessa forma, o álcool se distribui em maior quantidade no seu organismo. “Nessas pessoas, o efeito do álcool se expressa mais rapidamente e intensamente”, explica o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira. Por outro lado, a pessoa obesa, em geral, come mais e pode ser mais comum que esteja com o estômago cheio antes de beber, o que ameniza os efeitos da bebida. “Isso faz com que a absorção do álcool seja mais lenta, porque o estômago vai demorar mais pra esvaziar”, diz o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo.

23. Misturar bebidas diferentes pode levar à embriaguez mais rapidamente.

MITO: o que faz uma pessoa ficar embriagada ou não é a quantidade total de álcool que ingere, e não o tipo de bebida. Por outro lado, a mistura de bebidas fermentadas e destiladas, por exemplo, pode fazer mal aos mais sensíveis. “Cada bebida tem as suas sustâncias paralelas. Como o organismo reagirá a elas varia de pessoa para pessoa. Para alguns, ingerir diferentes bebidas pode atrapalhar a digestão, para outras, não”, destaca o neurologista José Mauro Braz de Lima, coordenador do programa de saúde de problemas com álcool e drogas da Cruz Vermelha brasileira e membro. Misturar bebidas simples, como a cerveja, com outras mais complexas, pode também potencializar a ressaca do dia seguinte. “Quanto mais sofisticada (colorida, envelhecida, com aroma) e fermentada for a bebida, maior a chance de dar ressaca”, diz o gastroenterologista Ricardo Barbuti, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo.

24. Beber uma taça de vinho por dia faz bem ao coração.

PARCIALMENTE VERDADE: essa é uma questão polêmica, que divide opiniões. Para alguns médicos, a ingestão de qualquer quantidade de álcool é maléfica. “Devemos encarar o álcool como uma droga. Foi criado um mito de que o uso de álcool em pequenas quantidades diminuiria o risco de doenças cardiovasculares. No entanto, não há evidência científica adequada que comprove isso”, avalia o gastroenterologista Laércio Tenório Ribeiro, membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Outros profissionais, no entanto, apontam que já há estudos que comprovem o bem que o álcool pode fazer ao organismo, quando em pequenas doses. “Há mais de 20 anos existem estudos que demonstram que substâncias presentes principalmente nos vinhos europeus são antioxidantes e ajudam a proteger o coração”, diz o cardiologista Nabil Ghorayeb, presidente do Departamento de Exercícios e Reabilitação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ele faz questão de frisar que, no entanto, não se pode tratar essas bebidas como remédio. “Pequenas quantidades de álcool têm efeitos positivos para algumas enzimas do corpo humano. Mas quando em excesso, o álcool tem o efeito contrário e pode prejudicar a saúde”, diz. Para não ultrapassar o limite aceitável, ele recomenda o meio termo. “Em um dia se toma vinho e no outro, suco de uva, para evitar o estímulo ao alcoolismo, doença que tem crescido nos últimos anos”, diz.

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